Manutenção de Material

Abaixo o pescador Fernando Arruda faz considerações sobre a manutenção que devemos realizar nos materiais após as nossas pescarias… Enjoy!

 

Amigos,

Mês de Maio… Inverno já espreita… Para muitos é tempo de ficar em casa, sem condições de pesca. Isto é um verdadeiro martírio para os “apeixonados”. Então… o que fazer com o tempo que antes era destinado àquela pescaria? Essa é uma questão que assola muitos pescadores nesta época do ano… Muita chuva… frio… ressacas… O que fazer?

Alinhar o material e deixar tudo prontinho para a próxima pescaria é uma das “terapias” a se seguir. Numa série de reportagens sobre como um pescador passa seu tempo quando não está pescando, começaremos por um tema que é muito controverso, mas que é muito importante para a vida financeira do pescador: manutenção do equipamento.

Cada pescador tem as suas técnicas na hora de “limpar” o equipamento. Cada um tem sua forma de lavar e lubrificar o material. Neste espaço irei dissertar acerca de algumas técnicas que aprendi ao longo dos anos. Gostaria de frisar que esta é a técnica que eu uso e tem dado bons resultados. Muitas outras técnicas existem tão boas ou quiçá melhores que esta ora apresentada.

Uma coisa é certa e é lei: devemos fazer a manutenção do material o quanto antes possível. A regra é que devemos evitar o início da corrosão (ferrugem, zinabre, etc.), pois uma vez iniciada, não tem mais volta.

Vejamos:

Molinetes:

 

 

Equipamento básico na tralha de todo o pescador, o molinete é uma peça que pode variar muito de qualidade. Assim, seus preços variam muito, podendo algumas máquinas ultrapassarem a marca dos dois mil reais, como é o caso do Basia Air da Daiwa e do Aero Technium XSA da Shimano. Assim, sendo o seu equipamento de alguns reais ou de alguns milhares, uma boa manutenção poderá ajudá-lo a economizar seu dinheirinho.

1º Passo (sempre): lavar o molinete em água corrente. Ao chegar da pescaria devemos lavar nosso equipamento em água corrente. Pode-se utilizar uma espuma delicada (evitar as grosseiras para não arranhar o equipamento) e sabão neutro. Jamais coloque as máquinas dentro de baldes com água de forma a imergi-los na água. Isto irá danificar o molinete, pois a água irá penetrar nas engrenagens retirando os lubrificantes, danificando partes sensíveis. JAMAIS devemos submergir o material dentro de baldes com água!

2º Passo (sempre): desmontar o molinete e secar. Deve-se retirar a bobina de linha, e se possível a manivela do molinete. Deixar secar em local arejado e à sombra. O bom e velho escorredor de pratos é ideal para o procedimento. Para acelerar a secagem é possível posicionar um ventilador.

3º Passo (a cada três pescarias ou de acordo com a necessidade do equipamento): Lubrificação. Após o material estar BEM SECO, devemos partir para a lubrificação. Nesta parte o assunto é bem controvertido:

 

 

– Óleos Antiferrugem e Antioxidante: o mais conhecido é o famoso WD. A vantagem é que de fácil aquisição e em alguns casos cumpre a missão. Como desvantagens estão o fato de sua fórmula possuir corrosivos (cujo uso constante pode danificar alguns materiais específicos) e um forte odor.

– Silicone (Líquido e Spray): também utilizado em grande escala, o segredo aqui é encontrar um que não possua odor (alguns são fabricados para a limpeza de móveis domésticos e por isso já vêm aromatizados). Alguns apontam como desvantagem o fato de que por ser mais viscoso, acelera a retenção de resíduos.

– Óleo Multi uso: são aqueles utilizados na manutenção de máquinas de costura, manutenção de armas de fogo, fechaduras, etc. Entre os mais famosos estão o óleo Singer e o Dimec. De fácil aquisição, conta com a vantagem de ter sido projetado para deslizantes. A desvantagem é que possui forte cheiro e necessita ser aplicado constantemente, pois é o que “gasta” mais rápido.

Escolhido o lubrificante de acordo com a preferência pessoal de cada um, deve-se:

a) Lubrificar o eixo da bobina: com o eixo em posição elevada, passar o lubrificante por toda a sua extensão. Então, devemos dar algumas voltas com a manivela de forma que o eixo entre e saia da parte interna do molinete. Repetir a operação por duas vezes.

 

 

b) Lubrificar o rolamento do catador de linha: na minha opinião, o procedimento mais importante de todos. Ao recolher a linha de pesca, o catador absorve muita umidade. Umidade é sinônimo de corrosão. Assim é necessário maior cuidado com este elemento. A maneira de fazer sua manutenção é afrouxando o parafuso do catador e colocando lubrificante em seu interior. Deve-se, com o auxílio de um pedaço de linha ou barbante, girar o catador algumas vezes para que distribua o lubrificante uniformemente por todo o rolamento.

 

 

c) Lubrificar manivela e outras partes móveis: passar o lubrificante no rolamento da manivela e nas demais partes móveis (dobras da manivela, por exemplo). Este procedimento ajudará na leveza e facilidade na hora de recolher a linha.

4º Passo: Acabamento. É importante frisar que não deve haver exagero na aplicação dos lubrificantes. Se na dose certa são essenciais para o bom funcionamento do material, em excesso podem prejudicar seu bom funcionamento. Escorrimento de material é sinal de exagero. Utilize um pano limpo e seco para retirar os excessos. Em seguida guarde e transporte o molinete dentro de um saco de pano ou similar e mantenha-o sempre seco.

 

Carretilhas:

 

 

Equipamento mais técnico que o molinete, permite ao pescador maior precisão em seus lances. Ao contrário do que muita gente pensa, a carretilha também oferece a possibilidade de atingir grandes distâncias nos lançamentos. Existe uma modalidade no lançamento, o Longcasting (Lances Longos) em que seus participantes utilizam a carretilha de forma quase unânime (carretilhas preparadas com rolamentos especiais e outros ajustes). Assim como os molinetes, o preço das máquinas “top de linha” podem ultrapassar facilmente a barreira dos milhares.

Pelo tipo de mecanismo com o qual a carretilha opera, a manutenção é essencial para que o usuário possa dela usufruir por mais tempo. Vejamos:

1º Passo (sempre): lavar a carretilha em água corrente. Ao chegar da pescaria devemos lavar nosso equipamento em água corrente. Pode-se utilizar uma espuma delicada (evitar as grosseiras para não arranhar o equipamento) e sabão neutro. Jamais coloque as máquinas dentro de baldes com água de forma a imergi-los na água. Isto irá danificar a carretilha, pois a água irá penetrar nas engrenagens retirando os lubrificantes, danificando partes sensíveis. JAMAIS devemos submergir o material dentro de baldes com água!

2º Passo (sempre): desmontar a carretilha e secar. Deve-se retirar ou afrouxar a tampa lateral que dá acesso à bobina de linha e separá-los. Deixar secar em local arejado e à sombra. O bom e velho escorredor de pratos é ideal para o procedimento. Para acelerar a secagem é possível posicionar um ventilador.

 

 

3º Passo (a cada três pescarias ou de acordo com a necessidade do equipamento): Lubrificação. Após o material estar BEM SECO, devemos partir para a lubrificação. Nesta parte o assunto é bem controvertido (vide assunto em Molinetes), e escolhido o lubrificante, devemos:

a) Lubrificar rolamentos internos: uma ou duas gotas de lubrificante são suficientes. Aqui, aconselho que o lubrificante utilizado seja o óleo multiuso. Deve-se lubrificar os rolamentos das duas paredes da carretilha.

b) Lubrificar o trilho do devanador (guia de linha): aplicar o lubrificante sobre o trilho. Prestar atenção para não exagerar pois os excessos irão pingar sobre a bobina de linha, estragando o material ou prejudicando o desempenho.

 

 

c) Lubrificar manivelas e partes móveis: passar o lubrificante no rolamento da manivela e nas demais partes móveis (estrela da catraca, por exemplo). Este procedimento ajudará na leveza e facilidade na hora de recolher a linha.

4º Passo: Acabamento. É importante frisar que não deve haver exagero na aplicação dos lubrificantes. Se na dose certa são essenciais para o bom funcionamento do material, em excesso podem prejudicar seu bom funcionamento. Escorrimento de material é sinal de exagero. Utilize um pano limpo e seco para retirar os excessos. Em seguida guarde e transporte a carretilha dentro de um saco de pano ou similar e mantenha-o sempre seco.

 

Varas (Caniços ou Canas):

Um dos equipamentos mais populares entre os apetrechos, é também um dos mais importantes. Existentes em várias marcas e modelos, uma regra: manutenção. Por ficar muito tempo exposto ao salitre, sol e outros fatores que aceleram a corrosão, uma boa manutenção é essencial, até porque neste caso é simples e rápida.

 

1º Passo (sempre): lavar as partes em água corrente. Ao chegar da pescaria devemos lavar nosso equipamento em água corrente. Pode-se utilizar uma espuma delicada (evitar as grosseiras para não arranhar o equipamento) e sabão neutro.  Deixar secar em local arejado e à sombra. Para acelerar a secagem é possível posicionar um ventilador.

2º Passo (sempre): com o auxílio de um pano limpo, passar silicone nas guias de linha (passadeiras) da cana. Tal procedimento além de ajudar na conservação, irá possibilitar um recolhimento mais suave, dando maior longevidade à  linha utilizada na pesca. Foto lubrificando passadeiras

3º Passo: Acabamento. É importante frisar que não deve haver exagero na aplicação do silicone. Se na dose certa ajuda no bom funcionamento do material, em excesso pode prejudicar seu bom funcionamento. Escorrimento de material é sinal de exagero. Utilize um pano limpo e seco para retirar os excessos. Em seguida guarde e transporte o caniço dentro em capa apropriada e mantenha-o sempre seco. Tal procedimento irá conservar o material além de prevenir danos no transporte.